O Perdão

 


Os tinir metálico ecoavam e repetiam em campo aberto, podem ser encontrados ao som de lâminas dilacerando peles e, secos de corpos já sem vida desabilitando um a um. Nos campos de treinamento da era ensinado que o campo de batalha era substituído por: glória, sangue, coragem e honra. Aquilo era mentira, a guerra é devastadora; um lugar para desonrados e assassinos. A guerra, é o festival rubro dos tormentos.

De alguma forma estava vivo em meio a carnificina, desferia golpes, os mais desajeitados e mortais que consegui. Uma dança voraz que, o primeiro que pisa em falso, pereceria. Pisei em false, troque em algo e desabilite na grama úmida. Ainda está desorientado e em meio a uma confusão apalpada pelo chão à procura da minha espada antes de me levantar. Agarrei algo rígido e macio. Era Godric, um companheiro, um aliado; um amigo próximo. O terror me petrificou, meu corpo tentava sobreviver a uma dose de adrenalina distribuída pelo ódio. Perdi o controle.

Tomado pela fúria e pelo rancor, desfere golpe atrás de golpe. Não estava no controle dos meus atos, uma lâmina caçava e um pedaço de um caminho cruzado. Amigo ou inimigo. Os que não morreram com o primeiro golpe agonizado ao chão com uma luz bloqueada que se manifesta dentro do corte.

Em uma segunda instância, ouvi o tilintar como minhas costas, uma cota de malha tão pesada que cada passo a solo ou por perto. Girei meu corpo junto a lâmina. Render ou matar? Mas quando meus olhos se deram conta que eu estava enfrentando meu coração parou.

Na ponta da minha espada, onde deveria estar, o pescoço de algum guerreiro rendido, apenas o cenário da guerra podia ser visto. Mais baixo estava associado à razão da minha investida, abraçado a um bem armado corpo sem vida, um jovem, provavelmente pelos seus dez anos seguintes, em prantos. As lágrimas escorriam enquanto apertava em vão ou cadáver.

Aquilo me lembrou, a fúria agora se despede do meu corpo. Me lembrei da minha mãe, o dia que morreu. Meu pai passou o dia inteiro agarrado a ela. Qual é o esforço para que você possa entrar antes da conta que nunca mais voltaria. Me lembro do olhar vazio, nos condenando como se desejamos que aquilo aconteceu.

Todo o campo de batalha ficou mudo. Diante de uma desolação, como se um ramo cipreste ou uníssono aparecesse dor e tristeza me ajoelhei, não gravava o estado de matado ou infeliz. Mas nunca me lembre de nenhuma vítima da minha fúria.

O cavaleiro largou seu falecido companheiro e se levantou. Pedia perdão. Me olhava não julgando, não com raiva ou ódio, não com tristeza; era o mesmo olhar vazio e distante, era o mesmo olhar de meu pai, que não mais nos enxergava, como se olhasse por entre nós. Segurei a espada pela lâmina o entregando, rogando para que vingasse teu amado companheiro, como eu não podia controlar esta força hedionda e profana, não deveria viver.

Fechei meus olhos e ergui meu queixo. Esperava no mínimo uma morte limpa, um golpe certeiro. Estava demorando. A minha frente, onde deveria estar o guerreiro pronto para sua vingança, senti o ar descontrolado rodopiar sem dó, seguido de um forte e abafado tremor. Senti a lâmina recostando em meu ombro direito, seguido do esquerdo. Não queria abrir os olhos, não queria rever aquele olhar devastador mais uma vez, mas pela minha surpresa, o toque suave da lateral da espada no topo da minha cabeça me obrigou a abrir.

Aquilo era impossível, não podia ser real. Certamente estava delirando. Diante dos meus olhos, segurando a minha espada, uma gigantesca criatura draconiana prateado estava de pé a minha frente.

−Como? Uma criaturinha tão frágil e pequenina. Como um receptáculo tão incomum pode comportar um poder tão…magistral.” Era difícil perceber alguma expressão naquela face prateada e reptiliana, mas parecia-se notar um sorriso. “Tal poder pode ser muito bem aproveitado. Seja para o bem…ou para o mal. Criaturinha, lhe ofereço uma nova vida, há de você aceitar ou recusar.

Enquanto alongava suas colossais asas, lançou, vindo de dentro de sua boca, uma baforada. Uma neblina circundando envolta da minha espada; me entregou e alçou voo. Em aparência a velha espada continuava idêntica, porem estava tão leve que parecia apenas um simples galho, não a grande espada de duas mãos que eu carregara desde a partida da cidade.

Talvez agora você tenha tomado uma decisão, a única decisão correta que tomei em toda a minha vida. Estou retornando à minha cidade natal.

 

Ass: Raz (Sick)

Autor da imagem darekzabrocki

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