Pandemonio

 


−Boa noite, todos por aqui me chamam de Srta. Bekshot, sou a coordenadora do hospital. – Se apresentou estendendo sua mão ao padre.

Suas vezes, mesmo muito bem arrumadas, estavam sujas como trapos. O padre a observava e se perguntava, como uma freira poderia ser tão desleixada com suas vestes. Aquele lugar, o Hospital psiquiátrico St. Collen era diferente dos outros que já visitara. Como se Deus fechasse seus olhos para aquele lugar. Mas para Srta. Bekshot, aquele lugar era uma maldição, para uma freira, seus julgamentos sobre a religião eram de fato questionáveis.

−Muito prazer Srta. Bekshot, me chamo Duarte Amorth. Ouvi muito sobre este lugar. – Respondeu se sentando em uma poltrona velha e surrada, que aparentemente, era o assento menos desagradável do escritório.

−É graças a mim que este lugar permanece de pé durante esses quarenta anos.

−De fato, mas não foi para elogiar seu excelente trabalho que vim até aqui. Onde está o garoto?

Sem demonstrar nenhuma emoção em seu rosto, abriu a gaveta retirando uma pasta com as informações.

−Joseph White, 17 anos. – Começou ela, −Não apresentando nenhuma lesão cerebral quando foi encontrado por um de nossos funcionários que voltava da cidade. Em seu corpo várias marcas de automutilação, estava com febre e havia sangue em seus olhos.

−E onde está o garoto agora? − Sua expressão de indignação se misturava a de curiosidade e receio.

−Depois do ocorrido, decidimos que seria melhor que ficasse separado dos outros pacientes.

−Ocorrido?

Sem responder guardou a pasta e saiu do escritório esperando que o padre a seguisse.

Desceram uma escadaria em caracol gigantesca e mal iluminada. A cada andar que desciam os sussurros e gemidos ficavam ainda mais aparentes. O lugar era claustrofóbico e desagradável, mesmo assim era instigante se perguntar o porquê de tantas pessoas irem até lá procurando ajuda.

Eles pararam diante de uma porta de chumbo muito bem trancada.

−Antes de entrar tenho que alertá-lo, já tentamos inúmeras coisas para o tratar, vários médicos, psiquiatras e pagãos vieram até aqui. Todos em vão. Gostaria que o senhor trouxesse os olhos de Deus para cá.

Suas palavras eram sinceras, mas algo não estava certo em suas palavras.

−Faremos o que for possível.

O som das trancas era tão desagradável quanto o ranger da porta.

−Aí está o garoto. – Disse apontando para o corpo sedado e amarrado em uma maca.

 

Ass: Sallen (Sick)

Autoria Própria

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