Uma historia fictícia de sentimentos reais
Já perdi a conta de quanto tempo estou aqui, encarcerado neste breu.
Esfregava uma pedra, em vão, contra a parede na esperança de descobrir ao menos o tempo que estou só. Um esforço em vão.
Com o passar dos dias uma sensação incomoda se apossava de mim. Como se minha essência e meu corpo não fossem mais um só, como se minha alma e minha carne se perdessem em seus timbres e vibrassem fora de sintonia.
Em uma centelha de ânimo me sentei e refleti. Naquela escuridão notei que não tinha mais a percepção não só dos dias, mas de dia e noite. Até mesmo o cansaço do meu corpo poderia me ludibriar.
Me recordo de quando acordei aqui, seja la onde aqui possa ser. Um vazio desconfortante, me sentia em pânico e inseguro. Não havia nem mesmo sons além dos que eu mesmo produzia. Com o tempo até mesmo minha respiração era perturbadora.
As tentativas, em vão, de gravar algo naquelas paredes frias alimentavam a esperança e a expectativa, agora já esmarrida, de enxergar; nem que fosse ao menos uma pequena fagulha.
Meu estômago queixava-se do tempo, os quais não me julgava capaz de compreender, que estava sem me alimentar.
Mas, o pior de tudo que, ali, não presenciei a pior das torturas. O prelúdio do terror de iniciou quando, um dia, abri meus olhos e me deparei, não mais minha sombria prisão. Eu enxergava, podia me ver e contemplar tudo ao meu redor.
Deveria me sentir feliz, ou no mínimo, aliviado de não mais perecer naquele pesadelo, de saber que estou vivo, ou até mesmo, com raiva de mim mesmo por não sentir tudo que deveria, uma pessoa normal. Mas eu não sinto.
Será que há algo de errado comigo?
Percebi então que, pior do que estar preso e impotente dentro de um tormento infindável; é se sentir preso e impotente em meio a muitos outros que não sabem e não se importam do como é aterrorizante se sentir assim.
Me sinto fraco e inferior entre todos, sem sentir, sem ser capaz, sem compreender o que é viver.
É melancólico saber que, enquanto muitos lutam e gastam todas suas energias para permanecer vivos, nós esgotamos toda nossa disposição para não nos afundarmos no que nó simplesmente somos e assim tentar sobreviver.
Ass: Raz (Sick)
Autor da imagem ElenaSai



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