Cão e gato
−Gato!
Em cima do braço do sofá o gato
balançou o rabo, fingindo dormir.
−gato! Eu estava pensando.
Balançou mais uma vez, dessa vez
levantando a cabeça.
−isso é raro, é algo intrigante.
Prossiga.
O cão deu um pulinho de alegria
pela atenção abanando o rabo.
−Eu protejo a casa, os humanos
trazem comida. − parou por um instante pra pensar, − O que você faz?
−Eu protejo a casa tanto quanto você.
Respondeu e voltou a sua pose inicial, decepcionado.
−Mas eu não te vejo fazendo nada.
Você come, dorme e as vezes sai correndo por aí.
O cão não obteve respostas, mas
isso não o desanimou. Ficou ainda mais curioso e mais engajado em consegui-la.
− Como você protege a casa? como?
Continuou o interrogatório
empurrando o gato com o focinho.
−Como?
−Você não entenderia. − Respondeu
levantando e se espreguiçando. − São coisas complexas de mais para você.
− Vai. Fala, fala, fala.
Não desistiria fácil. Se insistir
fazia seus humanos largarem o que estão fazendo para brincar com ele, com o
gato não seria tão difícil.
− Fala!
Continuou saltitando e cutucando
o gato.
− Tá bom, mas só se parar de me
importunar.
− Combinado. − Respondeu tomando
a mesma pose que fazia quando os humanos estavam prontos para brincar.
− Assim como você, eu protejo a
casa para que nenhum invasor entre. E mesmo que consigam, de alguma forma, eu
os expulso. − Se espreguiçou antes de continuar. − A diferença, meu caro
brutamonte, é que você protege a casa de outros humanos. Eu protejo de todo o
resto.
O cão inclinou a cabeça encarando
o gato.
− Tá falando daquela coisa que
você não deixa entrar quando os humanos chegam?
Espantado com a observação saltou
para o lado do cão e começou a rodear.
− Então você também os vê?
− Sim, não gosto, mas nunca os vi
entrando.
− Claro que não, eu não deixo.
Saltou para cadeira e para cima
da estante tomando uma pose elegante.
− Eu protejo nossa casa dos
espíritos, das energias, do mal e daqueles demônios que os humanos chamam de
insetos. − E saltou para o chão caminhando em direção a janela.
Agora com licença, está na hora do meu banho de sol.
Partiu aos olhos de admiração do
cão para a janela se esparramando entre a rede e o vidro quente.
Ass: Raz (Sick)
Autor da imagem Naia-Art



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