Sonho
Até agora, não sei dizer se tudo isso foi ou não
um sonho. Naquela noite o mar estava calmo, calmo de mais. As ondas eram imperceptíveis
e tão pouco o barulho do mar poderia ser ouvido.
Não
me recordo mais quando parti. Tão pouco a quanto tempo estou à deriva, desisti
de contar quando no quarto mês atirei o pequeno calendário ao mar.
Tento racionar os suprimentos
e mesmo assim estão chegando ao fim. Não sei explicar se o que sinto é,
desespero por saber que minha hora de partir esta próxima, solidão e esta maldição
definhando a minha sanidade ou, apenas, a esquizofrenia que veio me acompanhar
de mãos dadas. Há algum tempo tenho sonhos repetitivos, noite após noite e esta
não foi diferente.
Acordei assustado. A roupa em
meu corpo pesava, como todas as noites, o suor frio escorria pelo meu corpo,
graças ao medo e o desespero. Corri para proa para observar o céu estrelado,
ultimamente, o único momento que vem me acalmando após tais pesadelos.
Minutos se passaram enquanto
estava ali. Devaneava em um dia que tudo isso se acabasse, e talvez, algum
resgate viesse pôr um fim ao meu tormento. Reparei que me aproximava de uma
colossal torre rochosa. Observei, enquanto a corrente calma me arrastava adentrando
o canyon, quão grandiosa era está torre. Em seu topo, com muito esforço, pude
notar que em cada extremidade jazia uma ponte que um dia já conectou de um lado
ao outro daquelas montanhas que, mesmo tão altas, eram menores que a tal torre.
Notei também em sua base, uma
pequena, porém comprida escadaria e uma haste, de aparência frágil, qual
poderia atracar o barco. O prendi e segui escada acima, procurando algo que me
pudesse ser útil para sobreviver.
Neste momento me arrependi de
tomar esta decisão. O sentimento de alívio de pisar em terra firme se tornou em
uma desagradável sensação de pânico e pavor. Ao fim de minha subida um raio
clareou o céu, até então, iluminado apenas pelas estrelas. Este clarão trouxe a
minha vista algo que não notara antes. Em meio àquela gigantesca formação
rochosa estava entalhado, em posição fetal, um ser ainda mais colossal que a
própria rocha. A criatura possuía asas e em seu rosto, no lugar da boca e do
nariz, jazia tentáculos e guelras ondulantes, seus dedos somente garras podiam
ser vistas.
Fiquei atônito e nem notei a
falta do trovão subsequente. O horror tomou conta do meu corpo. Um segundo show
de luz clareou o céu, ainda mais claro que o primeiro, seguido do trovão trazendo
som a todo o ambiente. Não sabia se o que sentia agora era alívio ou loucura,
já que não havia mais aquele ser monstruoso incrustado na pedra.
Todo aquele teatro
esquizofrênico e horrendo drenou minhas energias. Neste momento já não lutava
mais contra o medo e sim contra meus próprios olhos que não conseguiam mais se
manter abertos.
Não sei se deitei, se sentei
ou se simplesmente desabei ao chão, apenas sonhei, um sonho desconfortável e
recorrente, Um pesadelo abissal.
Acordei assustado. A roupa em
meu corpo pesava, como todas as noites, o suor frio escorria pelo meu corpo,
graças ao medo e o desespero. Corri para proa para observar o céu estrelado,
ultimamente, o único momento que vem me acalmando após tais pesadelos e até
agora, não sei dizer se tudo isso foi ou não um sonho. Naquela noite o mar
estava calmo, calmo de mais. As ondas eram imperceptíveis e tão pouco o barulho
do mar poderia ser ouvido.
Ass: Raz (Sick)
Autor da imagem breath-art



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